Eu poderia usar mil desculpas.
Mas não uso.
Talvez eu não preste.
Mas eu nunca me prestei a nada disso.
Imagino os fios que me ligam aos outros. Gostaria de poder desembaraçá-los. Seria tão bonito poder te mostrar um por um. Este azul é bem fino, mas forte. Atravessou tantas épocas. Agora olhe esse: curto e grosso - mal sabe que sua existência tem prazo de validade. Nesse amarelo as fibras não formam um padrão único, elas explodem em redes de signficados que eu apenas começo a compreender. Mas deixe este para lá e observe o vermelho: bonito, não? Mas se quebrou. O roxo? Ele é estranho, começou antes que eu mesma começasse.
Talvez eu não preste.
E por isso peço desculpas.
Para me livrar da culpa.
Exorcizá-la para onde as palavras não a alcançam.
Mas no final, eu sei que, quando nada é natural, não existe perdão.
Cai o pano